
FIFA abandona plano de venda de participação na Copa do Mundo após forte reação negativa
O presidente da FIFA, Gianni Infantino, desistiu da proposta de vender participações na Copa do Mundo após ampla rejeição, incluindo críticas internas e ameaça de boicote por países europeus.
Gianni Infantino, presidente da FIFA, anunciou que não seguirá com a proposta de criar uma empresa de US$ 20 bilhões para administrar a Copa do Mundo com investidores privados, após forte reação contrária dentro da entidade e de membros do futebol mundial.
A ideia inicial previa a venda de 20% da nova subsidiária para investidores privados, com destaque para uma firma de investimentos de Nova York ligada à família Kushner. No entanto, a proposta gerou divisões significativas e ameaças de boicote, principalmente por parte das 55 nações membros da UEFA.
Em comunicado divulgado na sexta-feira, Infantino afirmou que o projeto "não seguirá adiante" e reconheceu que a iniciativa causou divisões que não são do interesse do futebol mundial.
Dois altos funcionários da FIFA criticaram publicamente o plano. Carlos Cordeiro, ex-banqueiro do Goldman Sachs e representante da FIFA na força-tarefa da Casa Branca para a Copa, renunciou ao cargo de assessor presidencial em protesto. Outro executivo, Kevin Lamour, diretor de operações da FIFA, declarou que a equipe foi enganada pela falta de transparência de Infantino e que o projeto não deve continuar.
Além da UEFA, a Concacaf e a Confederação Asiática de Futebol (AFC) também se posicionaram contra a proposta. A UEFA chegou a anunciar um boicote à Copa do Mundo e a outras competições da FIFA em resposta ao plano.
Infantino afirmou que pretende reunir as partes interessadas para discutir o futuro do futebol e buscar o crescimento do esporte, especialmente em países que mais necessitam de apoio.
A próxima competição da FIFA será a Copa do Mundo Feminina Sub-20, que terá início em 5 de setembro na Polônia, e que também poderá sofrer boicote por parte dos membros da UEFA.
A rejeição ao projeto representa um revés para Infantino, que foi reeleito sem oposição em 2019 e 2023, e que pode enfrentar dificuldades em seu mandato, cujo próximo pleito presidencial ocorrerá em novembro de 2023 em Rabat, Marrocos.
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